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III Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as

O III COPENE, realizado em São Luís do Maranhão entre os dias 06 e 10 de setembro de 2004, ocorreu sob uma intensificação da luta antirracista e com a adoção de cotas para negros em algumas instituições de ensino superior, notadamente a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e a Universidade Estadual da Bahia (UNEB) que foram as primeiras instituições públicas de ensino superior a adotarem reservas de vagas. O próprio eixo temático do Congresso é sintomático: “Pesquisa Social e Ações Afirmativas para Afrodescendentes”.

Com 600 inscrições e um público estimado de aproximadamente 1000 pessoas – entre negros, brancos e indígenas – a ampla participação demonstrou de forma cabal, por um lado, o acerto da proposta de congresso a cada dois anos, por outro, a necessidade de estruturação nacional da ABPN.

​O congresso de São Luís transcorreu com a SEPPIR e a SECADI, dois órgãos do governo federal, além da Fundação Palmares, também órgão do governo federal, acenando com o efetivo apoio do mesmo para agenda do movimento negro e dos pesquisadores/as negros/as. O prometido apoio deu-se de forma parcial e as expectativas geradas foram muito maiores do que o realizado, em especial nos aspectos centrais da agenda.

 

 

II Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as

O II Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, realizado de 25 a 29 de agosto de 2002 na cidade de São Carlos no estado de São Paulo, deu continuidade às deliberações do I Congresso a aprovou, por unanimidade, em sessão plenária, a constituição da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (não restringindo a participação de pesquisadores não-negros) com o objetivo principal de congregar e fortalecer laços entre pesquisadores/as que tratem da problemática racial, direta ou indiretamente, ou se identifiquem com os problemas que afetam a população negra e, principalmente, estejam interessados em seu equacionamento não apenas teórico.

No II Congresso, de certa forma, as áreas de maior concentração foram as mesmas do Congresso de Recife e participaram, aproximadamente, 450 pesquisadores; no entanto, já transparecem na produção os efeitos das mudanças sociais ocorridas na década de 90 na agenda das entidades do movimento negro brasileiro. Agenda essa provocada pela conformação de um Estado liberal-democrático no Brasil, no qual os negros passam a se utilizar crescentemente de mecanismos jurídico-políticos tanto para criminalizarem a discriminação e o racismo enquanto coletividade quanto para exigirem políticas públicas compensatórias pelos danos espirituais e materiais causados pelo racismo e pela discriminação.

Esta agenda assinalou a importância de aprofundar o balanço crítico iniciado no Congresso de Recife sobre a produção intelectual brasileira relativa às relações étnico-raciais mostrando as mudanças temáticas, mudanças de enfoque no interior de um mesmo tema, diferenças no tratamento de problemas e da própria agenda de pesquisa, na medida em que os negros, dentro e fora das universidades, passam a questionar o poder de nomeação, classificação e hierarquização do seu outro. É significativo destacar que, ao “negarem” a nomeação imposta de preto e ao se autonomearem como negro, afro-brasileiro ou, mais recentemente, como afrodescendente têm, os negros, buscado, por meio de seus intelectuais dentro e fora das universidades, rever, recriar, ressignificar sua participação e experiência enquanto coletividade distinta na história passada e presente do Brasil.

I Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as

O I Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, realizado de 22 a 25 de novembro de 2000 em Recife (Pernambuco), inaugurou um procedimento ao efetuar um balanço da produção recente dos pesquisadores negros e negras e de estudos que lidam com temáticas relacionadas com a situação dos afrodescendentes, especialmente no Brasil. Este congresso contou com a presença de aproximadamente 320 pesquisadores nacionais – de diversas regiões do país – e estrangeiros. A grande concentração de pesquisadores/as se deu nas seguintes áreas de conhecimento: educação, saúde, história, sociologia e antropologia.​ Dois pontos ganham relevância ao se analisar o I COPENE. Em primeiro lugar, chamaram a nossa atenção a diversidade, o crescimento numérico e a qualidade da produção.

Em segundo, a persistência de barreiras e a ausência dos meios materiais de suporte ao desenvolvimento de pesquisas pretendidas pelos/as pesquisadores/as negros/as. O que sugere haver divergências no interesse e na agenda de pesquisadores brancos e afrodescendentes.

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