Áreas Cientificas

Ao participar do VIII Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negres, realizado na Universidade Federal do Pará em 2014, a professora alfabetizadora, Alessandra Pio, deparou-se com a mesma dicotomia academicista dos demais eventos em educação: pouquíssimos professores e professoras da Educação Básica transitavam pela universidade apresentando trabalhos, já que eles eram os pesquisados, mas não considerados como pesquisadores.

A discussão se acirrou, pois a professora - que naquele momento coordenava o primeiro Núcleo de Estudos Afro-brasileiros de Educação Básica na ABPN, o NEAB do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro – estava ali para integrar o NeabCp2 ao Consórcio de NEABIs da ABPN. Houve o questionamento se poderia existir um NEAB na Educação Básica, pois a essência deste núcleo seria a pesquisa, ao que a docente questionou se docentes deste segmento não seriam pesquisadores, a começar, de sua própria prática cotidiana.

> Nesta empreitada, a professora Alessandra Pio buscou professores doutores para organizar Grupos de Trabalho, ou Sessões Temáticas, de Educação Básica. Começou com o professor Alexandre Nascimento, da Educação Técnica e Tecnológica. Mas, percebendo que a maioria absoluta do segmento que representava é de mulheres e negras, passou a investir nessa representatividade. Contou com o apoio da professora doutora Fabiana Lima (UFSB) e de amigas também mestrandas e docentes da Educação Básica: Célia Christo (UNIRIO) e Josiane Climaco (UFBA).

Finalmente, após GTs que se multiplicaram, a criação de um Fórum Permanente de Educação Básica foi colocado em pauta, como condição única da participação da professora Alessandra Pio na Chapa Dandaras, para a gestão 2016/2018. Como secretária Executiva da ABPN, a docente lançou o Fórum no IX COPENE, ocorrido em janeiro de 2017 na UFMS e UEMS. Naquele momento a justificativa para a existência de um Fórum para o segmento da Educação Básica foi essencialmente a de ter a representatividade desses docentes em primeira pessoa, para que a ABPN não reproduzisse a lógica existente de trazer a Educação Básica apenas pelos olhos pesquisadores das universidades. O chamado foi para que o primeiro encontro ocorresse no próximo COPENE Nacional, e assim foi.

Arquitetetura e Urbanismo africano

A área de Arquitetura e Urbanismo ligada a Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as está sob a organização do Prof. Dr. Fábio Macêdo Velame, ligado a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA e responsável pelo Grupo de Pesquisa – EtniCidades: grupo de estudos étnicos e raciais em arquitetura e urbanismo, que firma parceria com a ABPN no que tange a realização de seminários, mesas temáticas, participação na organização de eventos realizados pela ABPN, elaboração de publicações entre outras ações. Clique no botão abaixo e veja a programação de 2018 da Área de Arquitetura e Urbanismo.

Prof. Dr. Fábio Macedo Velame

Coordenador

Estudos africanos interdisciplinares

A Área de Estudos Africanos Interdisciplinares configura-se como uma proposta de integração e dinamização das ações da ABPN no campo da pesquisa, formação e difusão de conhecimento. Tais ações tem como foco temático questões relativas ao continente africano, desenvolvidos por professoras, professores, pesquisadoras, pesquisadores e estudantes associados. Temas relacionados aos aspectos históricos, sociais, econômicos, diplomáticos, religiosos, educacionais, literários, geográficos, políticos, territoriais, de saúde e culturais do continente africano, conformarão os objetivos precípuos da presente proposta, quais sejam: produzir, difundir, estender e divulgar conhecimentos, formar pessoas, bem como promover ações de intercâmbio que nos possibilitem estreitar relações parceiras com países africanos, nos limites dos objetivos gerais da ABPN.

De um modo mais amplo a proposta intenciona agregar esforços estratégicos e deliberações integradas capazes de potencializar o alcance dos objetivos, individuais ou em conjunto, de cada ação vinculada à Área, além de se constituir como um fórum permanente de discussões e produção de sugestões que colaborem com o seu desenvolvimento científico, social e político.

Prof. Dr. Acácio Almeida

Coordenador

Prof. Dr. Wilson Roberto de Mattos

Coordenador

Ciência e Tecnologia

Ainda não ocorreu uma ampla divulgação da participação de homens e mulheres negras na gestação e produção de muitas das inovações e conquistas científicas e tecnológicas da humanidade, ocultamento este ligado à cultura do racismo. É na contramão desta invisibilidade que a área de Ciências Exatas e Tecnologias da ABPN (CET/ABPN) aturará buscando divulgar pessoas como André Rebouças, George W. Carver, Eliza Ann Grier e Patricia Bath. Esta relação de nomes, de forma simbólica, nos serve como um indicativo do quanto a área de CET/ABPN pode contribuir para o avanço da educação para as relações étnico-raciais, pois abre-se a possibilidade de apresentarmos ao público em geral, cientistas negros/as, ou seja, um grupo de pessoas com um perfil bem diferenciado daquele divulgado por uma mídia que insiste em reproduzir uma visão eurocêntrica e discriminatória.​

​A tecnologia teve como berço o continente africano e esta aqui aportou também trazida por diferentes grupos, tais como libolos, congos (cambindas), vilis, tios, ambundos, moçambiques, ijexás, egbás que contribuíram com bem mais do que sua força de trabalho para o desenvolvimento dos diferentes territórios nos quais aportaram. Os povos iorubanos, por exemplo, trouxeram em suas mentes o mito de Ogum, o sintetizador de milhares de ferreiros os quais dominavam técnicas de trabalho com metais tais como o ferro, o ouro e cobre.

Profa. Dra. Nicéa Quintino Amauro

Coordenadora

Profa. Dra. Anna M. Canavarro Benite

Coordenadora

Comunicação e Mídia

A área de Comunicação e mídia propõe-se a refletir sobre o processo de midiatização social (VERON, 2014) e seu atravessamento das relações ético-raciais em sociedade. Neste contexto, os mídias se configuram em “dispositivos de produção de um tipo de realidade espetacularizada, isto é, primordialmente produzida para excitação e gozo dos sentidos” (SODRÉ, 2006), voltados mais ao consumo do que a cidadania. Silenciam com isso os grandes temas e conflitos humanos e sociais, como o pertencimento, a diversidade e o racialismo estrutural das sociedades contemporâneas. Pesquisar os mídias em suas realizações e potenciais e a maneira como afetam a forma de se estar no mundo torna-se essencial para construir estratégias de atuação nesse campo para o processo de descolonidade e de desconstituição do racialismo das sociedades ocidentais e ocidentalizadas, que é permanentemente mantido e atualizado também pelo sistema de mídias. Desta forma, a área propõe-se a tensionar criticamente produtos, processos e fenômenos comunicacionais e midiáticos, relacionados à negritude, racismo, anti-racismos e o direito à informação e a produção e circulação desta nas culturas contemporâneas e históricas. Interessa também os saberes que emergem das relações entre tecnologias de comunicação e informação e as culturas locais, regionais ou globais em tempos de convergência de mídias e de sentidos. Consideram-se com isso os debates e pesquisas sobre produção, experiências, leituras e consumo cultural e midiático, bem como os processos de educomunicação, interação, apropriação, representação, imersão, uso e afetação pelas diferentes formas de comunicação – da interação pessoal ao digital. Atenta-se igualmente a identificar autores, teorias e metodologias acionadas nestas pesquisas e a avaliação crítica dos processos de investigação.

Prof. Dr. Deivison Moacir Cezar de Campos

Coordenador

Profa. Dra. Sátira Pereira Machado

Vice-Coordenadora

Área de Filosofia Africana e Afrodiaspórica

RESUMO:
Com o predomínio de uma narrativa eurocêntrica no campo das Ciências Humanas, a área Filosofia Africana e Afrodiaspórica propõe como objetivo construir uma contranarrativa com o intuito de pluriversalizar a produção de conhecimento. Diante disso, discursos epistêmicos com diversas vozes localizadas são requeridos como protagonistas para um debate que expõe as relações étnico-raciais como primordial na produção filosófica.

JUSTIFICATIVA:
Dentro de um contexto complexo formado pelo patriarcado, sexismo, misoginia, eurocentrismo e racismo, o “fazer filosofia” não escapa à colonialidade. A partir de leituras de filósofas como Marimba Ani, Sobonfu Somé e dos filósofos Mogobe Ramose e Nelson Maldonado-Torres, podemos fazer algumas conjecturas para enriquecer o debate. No contexto da colonialidade, a filosofia tem reproduzido um mito de universalidade que recusa o seu caráter geopolítico. Ou seja, a pessoa que fala fica apagada da análise e, ao permanecer oculta, facilita que desconsideremos o lugar epistêmico étnico-racial, sexual, de gênero e geográfico. O sujeito enunciador aparece desvinculado de suas condições geopolíticas.

Profa. Dra. Adilbênia Freire Machado

Coordenadora

Prof. Dr. Luís Thiago Freire Dantas

Coordenadora

Profa. Dra. Sandra Haydée Petit

Co-Coordenadora

Prof. Dr. Julvan Moreira de Oliveira

Co-Coordenador

Feminismos Negros

O campo dos estudos feministas já está consolidado. Contudo, assim como não se conseguiu por meio da pesquisa e das evidências científicas desconstruir nas sociedades o patriarcalismo e o sexismo, onde o sistema de escravização da população negra existiu, há também para as mulheres negras o desafio de superar o racismo institucional. Se segundo HARDING (1996), os estudos feministas traçam críticas à produção de conhecimento científico com viés androcêntrico, bem como produzirem análises plurais orientadas por novas epistemologias a partir da reflexão sobre as relações de gênero, os estudos do feminismo negro visam ir muito além e explorar o impacto da branquidade e das relações raciais na opressão das mulheres negras. O feminismo negro soma-se às “novas vozes” emergentes dos estudos feministas por não aceitarem como evidência científica um discurso hegemônico que privilegia as mulheres brancas, heterossexuais e de classe média alta, seja na estrutura de poder, seja como referência do feminismo, mantendo a invisibilidade de mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, hipo econômicas e não-ocidentais.

Profª Dra. Ana Cristina Conceição Santos

Coordenadora

Doutoranda MsC. Giselle dos Anjos Santos

Coordenadora

Experiências Tradicionais Religiosas Espirituais e Religiosidades Africanas e Dispóricas, Racismo e Intolerância Religiosa

A intolerância religiosa contra os grupos de religiosos de matrizes africanas, está intimamente ligado às ideias racistas e higienistas, que tinham por intuito fazer uma limpeza racial e étnica religiosas na sociedade brasileira, bem como as construções social e históricas de inferioridades das raças negras subsaariana, em África, e todo o menosprezo construído no ‘século das luzes’ na Europa e nos Estados Unidos. (FINCH III & NASCIMENTO, 2009:37). Pensando na viabilidade das reconstruções dos argumentos históricos, desconectados das ideias racistas e colonialistas, que ainda permeiam a escrita acadêmica, a área de pesquisa Experiências Religiosas Espirituais e Religiosidades Africanas e Dispóricas, Racismo e Intolerância Religiosa, tem por objetivo produzir, promover, discutir e organizar pesquisas e evento, convenente aos temas citados, junto à comunidade acadêmica e não acadêmica.

Babalawô Ivanir dos Santos

Coordenador

LITERATURAS, LINGUAGENS E ARTES

A Área de Literaturas, Linguagens/Letramentos e Artes, sob a coordenação da Profa. Dra. Maria Anória J. Oliveira (UNEB/Pós-Crítica), e representada pelas subáreas de Linguagens – Profa. Profa Dra. Ana Lúcia Silva (UFBA) – e Artes – Prof. Dr. Marcos Antônio Alexandre (UFMG) –, se reuniu no decorrer do X Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (COPENE), com o objetivo principal de agregar os membros da área, e re/pensar estratégias que visem à sua reestruturação e consolidação.

Profa. Dra. Maria Anória de Jesus Oliveira

Coordenadora

Profa. Dra. Ana Lúcia Silva Souza

Coordenadora

Prof. Dr. Marcos Antônio Alexandre

Coordenador

Memória e Patrimônio

Interessa-nos neste eixo, os estudos e pesquisas interdisciplinares que abordam temas relacionados a cultura, memória, história e patrimônio das populações negras, a partir de uma abordagem epistemológica que assuma o legado africano como uma precondição essencial para desenvolver o conhecimento. Interessa-nos também, promover um debate crítico, teórico e empírico sobre as relações entre memória, patrimônio e as culturas africanas e afro-brasileiras na organização dos espaços de sociabilidade das identidades diaspóricas negras, a partir de um olhar afrocentrado, afroreferenciado e suas especificidades. Este eixo aponta ainda para estudos sobre a memória das populações negras nos espaços que emergem dos movimentos LGBT e o pensamento de mulheres negras.Interessa-nos neste eixo, os estudos e pesquisas interdisciplinares que abordam temas relacionados a cultura, memória, história e patrimônio das populações negras, a partir de uma abordagem epistemológica que assuma o legado africano como uma precondição essencial para desenvolver o conhecimento. Interessa-nos também, promover um debate crítico, teórico e empírico sobre as relações entre memória, patrimônio e as culturas africanas e afro-brasileiras na organização dos espaços de sociabilidade das identidades diaspóricas negras, a partir de um olhar afrocentrado, afroreferenciado e suas especificidades. Este eixo aponta ainda para estudos sobre a memória das populações negras nos espaços que emergem dos movimentos LGBT e o pensamento de mulheres negras.

Giane Vargas Escobar

Coordenadora

Profº Drº Delton Aparecido Felipe

Coordenador

Profº Drº Otair Fernandes de Oliveira

Coordenador

Quilombos, Territorialidades e Saberes Emancipatórios

A constituição dessa área científica assume o compromisso ético e político de promover a articulação e circulação de saberes entre a universidade e as comunidades quilombolas numa perspectiva que rompa com as hierarquias de conhecimentos. Para isso, essa área científica pretende promover e difundir a produção de pesquisas com quilombos e não sobre os quilombos. E, portanto, será composta por pesquisadores/as das universidades comprometidos/as com a produção de saberes, por quilombolas, universitários/as e detentores/as dos saberes tradicionais das comunidades. Busca-se promover a participação de quilombolas na produção científica de modo a aprimorar o conhecimento científico e seu alcance.

Dra. Maria Clareth Gonçalves Reis – (NEABI/PPGPS/UENF)

Coordenadora

Ms. Givânia da Conceição Silva (UnB/CONAQ)

Coordenadora

Saúde da População Negra

A área de saúde da população negra propõe-se a refletir sobre:


Os avanços e experiências a respeito da inserção das relações étnico raciais em centros de formação profissional e Epistemologias e práticas de saúde.

Os contínuos desafios sobre a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Questões regionais dos Conselhos de Saúde e dos Comitês de Saúde da População Negra, ​Participação dos usuários no enfrentamento ao racismo institucional.

Perspectivas e experiências​ dos diversos níveis de gestão pública na melhoria da saúde da população negra e os indicadores da implementação da política.

Identificação de estudos e protocolos referente aos agravos mais prevalentes na população negra, das práticas tradicionais de cuidado das religiões de matrizes africanas, das comunidades tradicionais e dos grupos quilombolas.

Prof. Me. Altair dos Santos Lira

Coordenador

ÁREA: BRANQUITUDE

A Área de Estudos da branquitude se propõe problematizar o branco geral e o específico, os “sujeitos” quase nunca “objetos”, o branco e toda a literatura científica sobre a branquitude. Diante disso, procuraremos convergir pesquisas que articulem análises sobre a violência simbólica e material que atingem as populações da diáspora negra no Atlântico Sul. Nós também discutiremos os termos, branco, branquidade, brancura, branco-centrismo, etc. Problematizar a branquitude como sistema de dominação racial, simbólica e material no sistema educacional da infância ao ensino superior no sentido de compreender como a identidade “racial” branca opera. Também atentaremos para as intersecções relacionadas ao gênero, nacionalidade, religiosidade, orientação sexual, etc. Buscaremos, no âmbito da ABPN a articulação interna e também com as demais associações científicas e acadêmicas, visando o fortalecimento da área; dar visibilidade a produção científica de pesquisadores/as, professores/as; movimentos negros; núcleos de pesquisas; fortalecer o diálogo com os espaços informais de educação; promover discussões no campo da formação dos profissionais da educação; oportunizar o intercâmbio e troca de saberes por meio de divulgação científica, da produção desenvolvidas por cientistas negros/as. Na contemporaneidade, novas especulações surgem sobre os estudos da branquitude em diferentes áreas do conhecimento. A exemplo a experiência da Primeira Sessão Temática, O branco, a branquitude crítica, a branquitude na educação e a abordagem de outros conflitos étnico-raciais vividos no Atlântico Sul, compôs a programa oficial do III COPENE SUDESTE realizado na Universidade Federal do Espírito Santo – campus Goiabeiras em setembro de 2019, com seis trabalhos aprovados e um público expressivo interessado nas discussões. No no ano de 2020 a Sessão Temática foi proposta no XI Artefatos da Cultura Negra ocorrido de modo online na Universidade Regional do Cariri – Ceará com 19 trabalhos aprovados. Em 2020/21 no XI COPENE, devido a pandemia do COVID-19, de modo remoto, no Campus Rebouças da UFPR, em Curitiba, a Sessão Temática aprovou 14 trabalhos. Neste evento igualmente haverá outra Sessão Temática sobre a identidade branca com outros 11 trabalhos. Portanto já é possível falarmos de uma consolidação desse campo de estudos de forma qualificada que problematiza e enriquece ainda mais o debate, e o mais importante, acompanhando a conjuntura de nosso tempo. O branco como objeto de pesquisa, vem sendo posto em discussão e mais, a identidade do branco, que se diz antirracista, e não relaciona o seu lugar de vantagem como perpetuador das próprias vantagens de seu grupo racial.

Dro Lourenço Cardoso

Coordenador

Cintia Cardoso

Coordenador