A cirandeira, tal como as ondas do mar, na sua música resiste e se renova.
Escrito por Nathália Rodrigues
Revisado e publicado por Helen Silva e Maria V. Gonçalves
Considerada patrimônio vivo do Estado de Pernambuco desde 1996, Lia de Itamaracá é uma artista que representa a cultura popular brasileira. Ela é uma das principais representantes da ciranda, um ritmo tradicional do Nordeste. Sua música e dança são uma celebração da cultura e da identidade afro-brasileira.
No auge dos seus recém-completados 80 anos, cujos 60 anos foram dedicados à cultura popular, Lia é homenageada pelo carnaval de 2024 do Recife e também como enredo pelas escolas de samba Nenê de Vila Matilde em São Paulo e pela Império da Tijuca no Rio de Janeiro.
O enredo do Império da Tijuca para o Carnaval, sob a batuta do carnavalesco Júnior Pernambucano e com texto de Rodrigo Hilário, ressalta: “A relação de Lia com as águas da ilha (o mar, o rio, o mangue) e com as festas e folguedos de sua infância construíram as bases artísticas da cantora e dançarina”
Filha de cirandeira, Lia já nasceu dançando e cantando! Nascida em 12 de janeiro de 1944, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, Maria Madalena Correia do Nascimento, é uma cantora, compositora e dançarina de ciranda brasileira. Lia se apresentava em festas e eventos na Ilha de Itamaracá, onde a ciranda e as tradições afro-brasileiras moldaram sua identidade. Sua voz potente e sua dança cativante logo a tornaram conhecida, o que a levou a gravar seu primeiro disco em 1960, “Ciranda Lia de Itamaracá”.
Antes dos títulos e prêmios, a sempre sorridente Lia de Itamaracá é resistência e representatividade! Exemplo de como a cultura popular pode ser um instrumento de transformação social, Lia sempre foi defensora dos direitos dos povos tradicionais e da cultura popular, da luta contra o racismo e desigualdade social.
O mar, elemento central em sua vida, surge como símbolo de fé, ancestralidade e da força da cultura popular. Sua luta pela valorização da cultura afro-brasileira e a perpetuação da ciranda através das gerações são homenageadas com fervor.
Ao longo de 6 décadas de dedicação à música, Lia foi agraciada com diversos prêmios, como:
Nacionais:
Patrimônio Vivo de Pernambuco (1996)
Medalha do Mérito Cultural (2005)
Doutorado Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (2019)
Troféu Tradições UBC (2023)
Prêmio Profissionais da Música (2023)
Internacionais:
Prêmio Pierre Verger (2007)
Prêmio UNESCO de Música Tradicional (2013)
Prêmio Afro-Brasileiro de Cultura (2016)
A relevância de Lia de Itamaracá para a comunidade negra é significativa e de longo alcance! Através de suas letras, Lia defende as causas da comunidade negra e contribui no processo de valorização de sua identidade, bem como no processo de popularização da ciranda como uma expressão cultural afro-brasileira no Brasil e no mundo.