ABPN destaca a importância do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU e a urgência de políticas antirracistas no Brasil

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O Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, FPA, criado em 2021, tem se consolidado como um dos principais mecanismos internacionais dedicados à promoção da inclusão política, econômica e social das populações afrodescendentes em todo o mundo. Sua instituição representa um marco significativo no reconhecimento global das demandas, direitos e contribuições das pessoas negras, fortalecendo o compromisso internacional com a justiça racial.

Atribuições e alcance do Fórum

Entre suas funções centrais, o Fórum é responsável por acompanhar a implementação da Segunda Década Internacional de Afrodescendentes (2025–2034). Esse monitoramento visa assegurar que governos e instituições cumpram metas e compromissos voltados à promoção da igualdade, ao combate ao racismo e à valorização das culturas afrodescendentes.

O espaço também atua como uma plataforma de diálogo internacional, permitindo a identificação de desafios comuns e a socialização de boas práticas adotadas em diferentes regiões. Além disso, o Fórum tem sido essencial na construção de debates que caminham para a formulação de uma futura Declaração da ONU sobre os direitos humanos das pessoas afrodescendentes.

Quarta sessão: justiça reparatória e desafios da inteligência artificial

Em abril de 2025, ocorreu a quarta sessão do Fórum Permanente, marcada pelo tema “África e pessoas afrodescendentes: unidas por justiça reparatória na era da inteligência artificial”. A escolha reflete preocupações centrais da atualidade: a necessidade de reparação histórica, os impactos das novas tecnologias e a urgência de garantir que os avanços digitais não aprofundem desigualdades já existentes.

Intervenção da ABPN: avanços, desafios e o contexto brasileiro

No último dia 28 de novembro, houve uma reunião do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial em Brasília, com o colegiado do FPA. Na ocasião, a conselheira e representante da ABPN no CNPIR, Iraneide Soares da Silva, realizou uma intervenção de grande relevância, trazendo para o debate internacional a perspectiva brasileira. Ela destacou que o país, embora tenha acumulado avanços importantes na legislação antirracista desde a III Conferência de Durban (2001), ainda enfrenta enormes desafios em sua implementação.

Iraneide enfatizou que o Brasil – o maior das Américas e que tem a maior população negra  fora do continente africano – permanece profundamente marcado por um racismo sistêmico, estrutural/estruturante, que dificulta o avanço de políticas públicas antirracistas, bem como violenta e mata pessoas negras de todas as idades a cada instante, com destaque para os jovens e mulheres. Um dos elementos centrais apontados por ela é a baixa representatividade negra nos espaços de poder, sobretudo no alto escalão do Estado, ainda majoritariamente composto por homens brancos e heterossexuais.

“Precisamos de políticas afirmativas céleres em todos os setores sociais e políticos, que possam corrigir com profundidade as distorções históricas e reparar as lacunas gritantes que hoje são visíveis aos olhos do mundo”, afirmou a conselheira.

Presença institucional e diálogo global

A fala de Iraneide foi acompanhada pela vice-presidente do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, Gaynel Curry, reforçando a relevância do diálogo entre sociedade civil, governos e organismos internacionais para fortalecer estratégias conjuntas de enfrentamento ao racismo no Brasil e nas Américas.

Compromisso da ABPN

A ABPN reafirma seu compromisso com a incidência política nacional e internacional, refletindo sobre a necessidade de se ampliar a representatividade negra, fortalecer políticas antirracistas e assegurar que as vozes dos afrodescendentes do Brasil permaneçam presentes nos espaços globais de decisão.

A luta por justiça reparatória, equidade e dignidade é contínua — e a participação ativa no Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU é parte importante desse caminho.

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